
Tempo...
Se fosse diferença, diria "avizinham-se tempos de mudança"
Se fosse identidade, diria " assemelham-se tempos em que o eu se reafirmará"
Mas que tempo é este ?
Perdido algures entre papeis e recordações que ficam ainda que o tempo se conceba como um tempo no qual tenho tempo para que eu seja, i.e., me revele no mundo, o tempo é mais que isso: Por um lado, porque o tempo é um constante devir, por outro, porque quer ele seja ou não parte de nós ele mesmo é quem deve ser, ou melhor, que subsiste para além de nós. Não se trata contudo de instalar no tempo uma concepção personalista, nem tão pouco de o "animar". Trata-se apenas disto : o tempo é o espaço da acção, o qual, em si e por si, é o único possibilitador pelo qual a minha acção se desenrola.
Mais que um tempo que Hesíodo já narrou na sua grande epopeia, o tempo transcende espaço do kronos, transcendência íntima no , e para, o ser.
O tempo atinge o kairos, i.e., o momento ideal, ou oportuno, para o qual nos preparamos e, ao contrário do kronos, o kairos apresenta-se nublado por entre a realidade sendo que, ao des-velar-se, devemos estar dotados de capacidades para que, no timming certo, esse kairos seja kronos, num sentido algo ilusório dos termos.
Ora, kairos no kronos é nada mais nada menos que o tempo em que o ser se descobre a si mesmo e instala a sua acção no momento ideal, i.e, para o qual ele existe.
Bonitas palavras mas contudo nada dizem. Este subjectivismo em que a filosofia se desenvolve torna-se complicado e esquisito e as capacidades reflexivas tornam-se quase que numa quadratura do círculo na busca de soluções pomposas para a realidade.
Busque-se a essência na filosofia que nasceu do contexto agrário e marítimo. Facilmente nos esquecemos dos degraus daquela escada que já subimos, como um dia disse Nietzsche, mas não esqueçamos, porém, que se subimos é porque a escada existiu e continua a existir nas nossas costas : façamos do futuro um reflexo do bom passado, i.e., das instâncias fixas em que o nosso ser busca a tranquilidade.
P.S. - O tempo da espera é algo curioso : nem é kairos , nem kronos. É uma instância temporal em que poucos queremos estar. Mas se há espera é porque esperamos acção. Assim, façamos da espera tempo de acção e esta deixará de ser espera. (faltam cerca de 1h30m de espera...)