Hoje acordei cedo, o sol tinha então entrelaçado o horizonte.
Uma manhã estranha, algo cinzenta, camuflada por tons neutros.
Uma pomba levantava voo à minha frente para logo de seguida planar e pousar de novo. Parecia querer dizer-me algo. A pomba não era branca, não tinha o sentido metafórico de uma clareza celestial. Era branca mas malhada por um castanho terra que ainda agora recordo.
Aquela pomba guiou-me um pouco mais para, de súbito, pousar num muro onde já não a podia perturbar. Ela parecia olhar para mim enquanto caminhava só, ela parecia olhar-me de cima como se ela fosse um ser altivo e divino. Olhei-a nos olhos: pobre criatura, eu, apenas com vontade de vencer, de triunfar.
Hoje o dia foi de facto diferente. Caminhei sozinho e aquela pomba apenas me queria dizer que esta solidão é a nova companhia para o futuro que se avizinha. Este é o teu caminho, devo segui-lo. Esta é a tua companhia, que pareço querer ter.
O cenário pareceu também ele ter vontade. Pareceu quer que o recorda-se como um momento eterno que, afinal, não foi mais que um mero momento quotidiano, citadino.
Hoje alguém me mostrou a realidade que queria pensar que não tinha ainda...